2008 foi um ano do capeta. Capeta caixa alta, com direito a tridente, cheiro de enxofre e olhos verdes.
Há uns dois anos que a geologia não me interessava muito. Devido a um N número de coisas, que vão desde os sofismas científicos que são produzidos anualmente, à conflitos diretos com alguns professores e colegas. A festa ficou chata.
Em contraponto, desde que voltei de La Plata (2005), já buscava uma orientação mais humanitária. Na minha república haviam muitos alunos de humanas, e definitivamente isso levou a questionar muito das práticas e valores na geologia. Por exemplo, um depósito mineral só entra em operação se o valor de mercado do metal atingir um patamar mínimo. Isso parece razoável do ponto de vista econômico, mas pensando no aspecto social envolvido nessa tomada de decisão, é altamente influente e impactante, no sentido de que a ativação ou não de um depósito define muitas vezes a economia local. Quantas cidades como Paracatu, Minaçu, Vazante, Niquelândia, entre outras, existem por aí? São cidades com base mineral, e praticamente todo o dinheiro circulante na cidade vêm em função disso. A mina arrecada dinheiro com a venda, e com isso seus trabalhadores são pagos, e estes passam a gastar dinheiro em alimentação, serviços, entre outras coisas…
Porém nesses últimos tempos, o ouro cai de 2/3, até quase metade de sua cotação, e o dinheiro se esvai nessas cidades. Pessoas são demitidas. Definitivamente é um negócio. Muito lucrativo, por sinal. Mas há gente envolvida…
Bom, esse tipo de questão (social), além da pouca\nenhuma preocupação ambiental por parte dessa ciência, quando na exploração de recursos minerais, me levou a ficar muito desiludido. Com o curso, e comigo, por estar pactuando com esse tipo de ação.
Não que as pessoas tenham que sair se amarrando a árvores, ou fazendo manifestações violentas… Mas a mim não me agrada ser um marionete da economia, que altera sua conduta em função de cifras. Lógico que a economia nos afeta como um todo. Mas realmente é complicado não poder questionar essa ordem de coisas, tal como acontece nessa área.
E bem, adicionado um componente de problemas acadêmicos, saí da Unicamp e fui buscar o cinema. De agosto à dezembro, entrei numa rotina de cursinho, molecada de 17-18-19 anos, alguns tensos, todos com sonhos… Alguns professores picaretas com enormes problemas de atualização profissional, que focavam os alunos mais nos docentes em questão (piadas, comentários inúteis, etc…) que em ensinar, melhorar o nível dos alunos que trabalhamd durante o dia e estudam a noite…
Ao mudar pra turma de outro cursinho, mais elitista, diurno e com grande carga horária, a diferença é palpável. Após isso vieram as provas, alta concorrência, mas tudo ok. Consegui ir ao final em todos os exames (UFF, FUVEST e UFSCar).
Hoje, dia 15, espero ansiosamente os resultados. Sem a gastrite que desenvolvi no primeiro semestre de 2008. Agora é esperar o corte de cabelo e a tinta.