Aquele Abraço

Manifesto Rádio Muda

Sexta-Feira, 20 Fevereiro, 2009 · 1 Comentário

Manifesto

Rádio Muda 3 X 1 PF+Anatel

“Nao temos nada a perder. Temos tudo.”

Sun Tzu

Os Piratas nos atacaram.

Sequestraram nosso timoneiro DJ Computer.

Hoje, dia 19/02/2009, às 5 da manhã, doze Piratas Federais (PF)

saquearam todos os equipamentos do estúdio da Rádio Muda, rádio livre que

funciona há mais de 20 anos em Barão Geraldo, Campinas-SP.

Em uma ação decorrente da “Operação Silêncio”, que fechou diversas

rádios em todo o país, um bando de 14 homens, 12 agentes

federais, 2 chaveiros (um para segurar a chave e outro para rodar?),

liderados por um delegado, tomaram de assalto o estúdio a mando da juíza

substituta Fernanda Soraia Pacheco Costa. Vandalizaram o estúdio, rasgaram

cartazes e confiscaram todos os equipamentos.

Nao havia nenhum mudeiro no momento da ação sórdida.

A Rádio Muda é uma rádio que não é ilegal, nem legal, é uma rádio livre,

pois, assim como inúmeras outras, não possui fins comerciais, não

pratica proselitismo religioso nem político partidário, e atua de

maneira integrada a sua vizinhança, estabelecendo uma relação de

reciprocidade através da qual quem ouve, pode falar, ou seja, todo

ouvinte é um emissor em potencial. Espalhadas pelo Brasil e pelo mundo,

essas rádios baseiam-se na legitimidade que suas comunidades e

vizinhanças lhe conferem. Atua com baixa potência e atinge apenas uma

pequena região da cidade de Campinas. Ao invés da legalidade exigida por

leis estatais que legitimam um sistema corrupto e viciado de concessão

de radiodifusão, a legitimidade deste tipo de prática deve ser protegida

como liberdade de expressão e organização local.

Qual é o papel da radiodifusão hoje?

As rádios comerciais, consideradas legais, integram o território

nacional a partir de interesses comerciais

e culturais homogeneizantes. As rádios livres, consideradas ilegais,

permitem que a pluralidade cultural seja

livremente expressa. Tudo aquilo que não encontra

espaço na lucrativa e monopolizada mídia comercial tem a possibilidade

de vazão nos meios geridos pela própria população.

Mundialmente a mídia é controlada por 10 conglomerados. 40 empresas estão

ligadas direta ou indiretamente a eles. No Brasil, 90% da mídia é

controlada por 13 famílias. Em Campinas, a RAC (Rede Anhanguera de

Comunicação) controla os principais meios de comunicação da cidade e

região.

Centenas de rádios não comerciais espalhadas pelo Brasil e pelo mundo

atuam no sentido contrário a essa situação de monopólio, reafirmando a

capacidade de toda e qualquer pessoa de produzir informação.

Rádio Livre derruba avião?

Um dos principais argumentos contra às rádios livres e de baixa potência

é que constituem séria ameaça para tráfego aéreo e a comunicação de

emergência. Porém, nunca um acidente aéreo foi causado por este tipo de

radiodifusão. Aliás, se fosse fácil assim, com umas mil rádios

comunitárias, Sadam teria vencido a invasão de Bush no Iraque…. será

que ele não pensou nisso, ou será que esta informação “técnica” não faz

o menor sentido?

Pra quem não sabe, aviões operam em uma frequência de rádio acima da

faixa de frequência das rádio FM. Para que uma rádio FM interfira nas

transmissões aéreas de rádio, é necessário primeiro que o transmissor

esteja desregulado e sem filtros. Hoje em dia, é muito comum o uso de

transmissores que possuem filtros de harmônicos e filtros passa-faixa, que

mesmo não sendo homologado pela Anatel, está dentro da máscara de

transmissão da norma brasileira de radiodifusão, ou seja, que passou por

um teste técnico no qual um analisador de espectro comprova que fora da

frequência de transmissão o sinal é fortemente atenuado, o que comprova sua

a precisão e a capacidade de não interferência de um transmissor. O

segundo fator é a potência do transmissor.

A prática mostra que as rádios livre funcionam com transmissores de baixa

potência (potências altas significam custos altos). Comparados aos

transmissores das rádios comerciais, com potências gigantes, não

representam perigo de interferência nas comunicações aéreas, mesmo com um

transmissor não perfeitamente construído. Quem tem que

cuidar da aferição dos seus transmissores potentes são as grandes rádios

comerciais, que apresentam altos riscos de interferência na comunicação

aérea!

Piratas?

Piratas são as rádios comerciais que querem o ouro!

Não estamos atrás do lucro.

Livre?

O sistema de leis estatais prevê que a organização e concessão do direito

de uso para as frequências de rádio seja realizado por um grupo de

pessoas restrito- técnicos, especialistas, políticos e grupos econômicos.

A comunicação livre não reconhece o governo como única entidade capaz de

elaborar leis e regras relativas ao funcionamento dos meios de

comunicação.

Propomos, através da prática, a apropriação e utilização de qualquer meio

de comunicação e tecnologia.

Todas as tecnologias são e deveriam ser consideradas bens universais

destinadas ao desenvolvimento humano, sua inteligência, afeto e

comunicação.

O conhecimento não pode ser aprisionado por leis medíocres que se baseiam

em interesses mesquinhos de grupos políticos e econômicos ou mesmo de leis

que não comportam a capacidade da população de produzir suas próprias

informações, a partir de meios de comunicação geridos coletivamente.

Comunicação se realiza diariamente, nos momentos mais cotidianos. Ampliar essa comunicação de uma pessoa ou grupo através de meios tecnológicos é uma possibilidade e prática que amplia a democracia e a capacidade das pessoas de se comunicarem entre si: falando, ouvindo, produzindo e questionando.

A comunicação está em todos nós, muito antes de existirem governos e leis

que a regulamentassem: livre, intrínseca, potente e transformadora.

Conclamamos todos e todas a produzirem mais e mais meios de comunicação.

Não precisamos nos submeter ao monopólio!

Nesse carnaval, sintonize-se, atue: ações pela mídia livre espalhadas pelo

território.Organize próprias ações!

A Muda não se cala!!! Voltaremos a transmitir em breve!!

Publicações sobre a Invasão da Polícia:

http://midiaindependente.org/

http://www.brasil.agenciapulsar.org/nota.php?id=4205

http://municipe.mandioca.org/archives/246

http://mandioca.wordpress.com/

http://www.agenciapulsar.org/nota.php?id=14500

http://www.npla.de/poonal/aktuell.shtml#BRASILIEN

Manifestações de apoio endereçadas a Rádio Muda e manifestações de repúdio endereçadas ao reitor:

“Caro Magnífico,

A rádio muda é um experimento de produção cultural coletiva organizada em

bases inovadoras que, como toda experiência de ponta bem sucedida, deveria

ser abrigada e incentivada pela universidade.

No entanto, soube essa manhã que a rádio em questão foi invadida pela

polícia federal. Onde andava a autonomia universitária e a reitoria nesse

momento? quando e como veremos a atitude de repúdio a esse fato que se

espera de nosso magnífico?

é urgente demonstrar que a universidade ainda é um refúgio para a produção

de conhecimento e de alternativas para o país em todas as áreas.

obrigado

Augusto Postigo”

“À REITORIA DA UNICAMP,

dando crédito à informação abaixo (repassada por colega do IFCH), não se pode senão

lamentar o ocorrido e esperar as providências que a Reitoria da Unicamp -

comprometida com os valores democráticos (livre expressão de idéias e o pluralismo)

- certamente adotará para apurar o fato e procurar evitar, no futuro, a ocorrência

de atos semelhantes a este.

Respeitosamente,

Caio N. de Toledo

Professor colaborador IFCH”

“Em defesa da rádio muda…

Manifestações culturais devem ser preservadas…

Abraço,

Lucas.”

“Olá pessoal da Muda,

Nós do CABS (Centro Acadêmico de Engenharia Elétrica da Unicamp) gostaríamos

de dizer que sentimos muito o fato lamentável que ocorreu ontem e

gostaríamos de manifestar nosso apoio ao retorno da Muda. (…)”

“Gostaria de manifestar minha indignação quanto aos fatos ocorridos com a Rádio

Muda. É arbritário, provavelmente ilegal, ditatorial, uma enorme baixaria.

Acho imprescindivel que a administração da Unicamp tome providências

quanto a esse “estupro” à liberdade de comunicação.

Miriam Osorio Silva de Florianópolis, Santa Catarina”

“Manifesto meu apoio em favor da Rádio Muda.

Abraço

André Kobashi”

“Apoio a rádio muda. Pela liberdade de expressão e informação.

Mário”

Chamado por ações locais pela mídia livre!

No último dia 19 de fevereiro a Polícia Federal invadiu a Rádio Muda, rádio livre situada em Campinas e há mais de 20 ano no ar.

Em virtude desse acontecimento e pela deplorável situação atual dos meios de comunicação no mundo,

Conclamos todos e todas a realizarem ações locais pela mídia livre nesse período de carnaval. No embalo das pessoas que tomam as ruas, tomem os microfones!

Transmissões, projeções, confeccção de panfletos e zines, performances, uma conversa!

Tudo pode ser uma ação!

Divulguem no Centro de Mídia Independente e no radiolivre.org, traduzam se puderem

e assim o calendário vai sendo montado

Categorias: Audiovisual · Dias de Luta

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