Finalmente me rendi ao apelo dos jornais, e fui assistir Slumdog Millionaire. O filme papou um bom punhado dos Oscars e BAFTA´s deste ano, o que gerou muita repercussão, pois o filme não apresenta claramente uma proposta de superprodução, nem grandes qualidades técnicas. Para se ter uma idéia, o filme foi indicado em 10 categorias do Oscar, sendo que destas arrematou 8, colocando-se mais bem sucedido numericamente que clássicos como Lawrence da Arábia (7 de 10), Doutor Jivago (5/10), O Poderoso Chefão (1972, 3/10), Star Wars (1977, 7/10) e Coração Valente (5/10). Detalhe que as produções citadas se encaixam como superproduções (tendo em vista suas respectivas épocas de filmagem), coisa que não é verificada nesse filme, justificando, portanto, o burburinho dos últimos tempos.
Pessoalmente acho que em Hollywood não rola piedade, e o filme é merecedor desses prêmios. Destaco principalmente a fotografia, a montagem e a direção de arte, que foram feitas com extremo cuidado, auxiliando muito o roteiro a obter sucesso. Aparentemente uma estória de final feliz, o filme retrata bem (dados os limites de uma ficção) diversos aspectos-chave da exclusão social e miséria presentes nas gigantescas favelas da Índia, tais como trabalho infantil, disputas étnico-religiosas, exploração sexual, etc.
Outro ponto positivo do roteiro é como a estória se desenvolve. Mesmo com todas as dificuldades possíveis, o garoto miserável possui valores morais, e força de vontade suficientes para motivar-lo a seguir adiante. Com certeza, é um filme que fala sobre esperança.
Em um mundo em crise, aliada às irresponsabilidades múltiplas de governantes e gananciosos de plantão, a esperança genuína é mercadoria rara para as pessoas que sentem os reflexos das mazelas citadas. Creio que Slumdog Millionaire sobe ao panteão dos clássicos, simplesmente por relembrarmos que não só vivemos de ações e de trabalho, mas também de sonhos.





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