Como parte da sessão do Cine UFSCar – Especial Kinoforum (29/04/2009), foi exibido o curta metragem “O Som e o Resto”, de André Lavaquial (BRA, fic, cor, vídeo, 20”, 2007). Este é o segundo filme do autor, sendo o primeiro “Interventores” (2006).
No primeiro filme se passa a estória pessoal de Jahir, um virtuose da bateria, porém pouco reconhecido na igreja evangélica na qual toca. Ao momento que se sente oprimido pelas obrigações com a mesma, e também pela sociedade discriminante a seu talento, o protagonista se rebela e busca tocar no centro do Rio, às proximidades dos arcos da Lapa, reduto universitário carioca, como forma de libertação às convenções morais, sendo isso expressão máxima de seu livre-arbítrio.
Tal como a tendência apresentada nos filmes da sessão, este filme não se trata de uma peça audiovisual puramente documental. O protagonista Jahir, coincidentemente é representado por Jahir Soares, percussionista experiente, que esteve acompanhando diversos artistas como Lazzo, Édson Gomes, Barrosinho, Rás Bernardo, Grupo Vissungo, Cassiano, Tânia Alves, Riachão, Batatinha e Tim Maia. Atualmente ele desenvolve um projeto pessoal de bateria solo denominado “Jahir Livre”, onde o mesmo toca bateria gratuitamente em locais públicos, no modo visceral representado em “O Som e o Resto”.
Esse ato de libertação é explicitado no documentário de Ricardo Santini e Isabel Ribeiro, “Contra Tempo” (2007), onde Jahir define seu desejo de popularização da música como forma de protesto pacífico ao establishment vigente na sociedade como um todo. Com a intertextualidade das obras (e o domínio da estória pessoal do ator, por parte do espectador), o altruísmo de “O Som e o Resto” ganha ares de realidade, tal como uma alegoria bem caracterizada, sendo, portanto tão impactante quanto a força de vontade, e da bateria, de Jahir.




